Infestação por 'Aedes aegypti' no Rio é três vezes maior do que o tolerável pela OMS

RIO - O mosquito Aedes aegypti parece estar ganhando a guerra no Rio. Os índices de infestação predial na cidade continuam altos e, segundo especialistas, como o entomologista Rafael Freitas, da Fiocruz, o número de vítimas da dengue só não é grande porque a maioria da população já teve a doença e está imune aos três vírus que circulam no país. Conforme o último Levantamento do Índice de Infestação Rápido pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro do ano passado, a média do Rio é 2,9%, quase três vezes o tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é 1%.

Existem pontos na cidade onde a situação é ainda pior. Na Área Programática (AP) 3.1, que compreende os bairros de Penha, Ilha do Governador e Ramos, o índice é 5,2%. Os dois bairros com maior infestação têm realidades distintas. Santo Cristo, bairro degradado e com áreas abandonadas, tem 9,5%. Mesmo índice apresenta a Lagoa, região nobre, mas com problemas como água empoçada em áreas públicas, como o Parque do Cantagalo. Ainda não há levantamentos dos índices do verão, mas a preocupação é com o grande volume de chuvas e as altas temperaturas, condições favoráveis à proliferação do mosquito da dengue.

Três mutirões de combate à dengue, de acordo com o secretário de Saúde, foram feitos recentemente na região da Penha e na do Maracanã. Nas últimas semanas, foram visitados 45 mil imóveis e 40 toneladas de lixo foram removidas. Os agentes detectaram 15 mil focos do Aedes aegypti.

Na Lagoa, bairro com maior índice de infestação na Zona Sul, é com desconfiança que moradores passam pela ciclovia na altura do Parque do Cantagalo. Eles temem que as grandes poças d'água perto das quadras esportivas sirvam de criadouro do mosquito.

Fonte: O Globo Online

Vírus da dengue pode levar a transtornos neurológicos

22/1/2010 - 10h33
Por Ascom da Faperj

Durante a epidemia de dengue de 2002, muitos pacientes não diagnosticados com a doença deram entrada em hospitais da rede pública com quadros neurológicos. Segundo a neurologista Marzia Puccioni-Sohler, não se tratava de coincidência. Como mostrou na pesquisa que coordena na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a presença do vírus da dengue pode desencadear doenças neurológicas como a encefalite, a meningite ou a síndrome de Guillain-Barré.

Para confirmar e também compreender melhor a associação entre a infecção pelo vírus da dengue e as manifestações neurológicas, o estudo pesquisou a produção de anticorpos contra o vírus no sistema nervoso. Essa confirmação não apenas facilita o diagnóstico precoce das doenças associadas à dengue, como permite que se trace um tratamento mais eficaz.

- Nossa dúvida era se a dengue causava ou não doença neurológica. Encontramos tantos casos neurológicos que poderiam estar associados à dengue que, para confirmar essa relação, decidimos testar a presença de anticorpos de fase aguda nesses pacientes, independente de história prévia de dengue. Porque vários deles não apresentavam sintomas da dengue clássica e muitos eram assintomáticos - diz a pesquisadora.

Seu estudo Síntese Intratecal de Anticorpos na Dengue, desenvolvido no Laboratório de Líquido Cefalorraquidiano do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, foi recentemente publicado na revista Neurology, como um dos sete destaques da edição e motivo de entrevista pela American Academy of Neurology. O trabalho contou com apoio do Auxílio à Pesquisa (APQ 1), da FAPERJ.

Entre os casos de dengue provocados pelos vírus da dengue (dos tipos 2 e 3), de 1% a 5% evoluem para doenças neurológicas. Isso tanto pode acontecer pela atuação direta do vírus sobre o sistema nervoso, provocando inflamações – como no caso da mielite e da encefalite –, quanto pelo desenvolvimento de doenças neurológicas devido a uma reação imunológica, cujos sintomas costumam surgir cerca de um mês depois da contaminação pelo vírus.

- No Rio de Janeiro, isso é preocupante. O estado é uma área endêmica, com alta incidência de dengue. Por isso, sugerimos que, em situações de epidemia, os casos de mielite, encefalite e síndrome de Guillain-Barré sejam investigados. Isso pode ser feito com pesquisa de anticorpos IgM ou procurando detectar a presença de vírus no líquido cefalorraquiano ou no sangue desses pacientes - aponta a neurologista.

A equipe coordenada por Marzia analisou amostras de 10 pacientes com sorologia positiva para dengue – entre eles, casos com sintomas neurológicos de encefalite, mielite, neuromielite óptica e síndrome de Guillain-Barré. Durante a pesquisa, foi possível observar a existência de síntese de anticorpos antidengue no líquido cefalorraquiano de pacientes com mielite.

- Isso demonstra que se pode ter um marcador de infecção viral no sistema nervoso. Em pacientes com mielite – inflamação da medula espinhal –, por exemplo, essa produção de anticorpos no sistema nervoso se torna um marcador da ação do vírus da dengue - explica.

Para a pesquisadora, esse passa a ser um grande apoio ao diagnóstico à mielite associada à dengue e permite a melhor compreensão da origem desta manifestação neurológica provavelmente relacionada à invasão viral.

Embora nos pacientes com neuromielite óptica e síndrome de Guillain-Barré não se tenha registrado produção de anticorpos contra o vírus da dengue, isso não significa que não haja relação entre as duas doenças.

-Nesses casos, devemos considerar uma provável causa autoimune desencadeada pela presença do vírus - explica Marzia.

A síndrome de Guillain-Barré apresenta características distintas.

- Trata-se de uma doença autoimune, precedida por uma infecção, provocada muitas vezes pela entrada de um vírus no sistema nervoso, que ativa o sistema imunológico, gerando uma reação imune contra proteínas do sistema nervoso periférico - explica.

Segundo a pesquisadora, esses anticorpos confundem as proteínas do próprio organismo com proteínas do vírus com o qual tiveram contato e passam a atacá-las. É essa reação que leva à síndrome de Guillain-Barré, doença inflamatória das raízes dos nervos.

- Que, nesse caso, é desencadeada pelo vírus da dengue - diz a pesquisadora.

A neuromielite ótica também é provocada por processo semelhante.

Os sintomas da dengue já são bem conhecidos: febre alta, dor de cabeça intensa, desânimo, dores nas articulações, mialgia e dor retro-ocular. Nos casos de encefalite, no entanto, há repentina redução do nível de consciência, sonolência, convulsões, déficit neurológico focal, como perda da força de um dos lados do corpo e o paciente passa a não mais responder a estímulos do ambiente.

Na mielite, há também a perda de força muscular dos membros inferiores e o doente perde a capacidade de andar. Na síndrome de Guillain Barré, essa perda de força muscular pode ascender, atingindo também os membros superiores. O risco maior é de se chegar a uma deficiência respiratória.

Pacientes diagnosticados com essas doenças neurológicas associadas à dengue, no entanto, não devem preocupar-se demais. Em geral, elas são benignas, embora situações mais graves possam, eventualmente, ocorrer.

- Tratamos as manifestações neurológicas com medicamentos específicos e os sintomas tendem a desaparecer em alguns dias, sem deixar sequelas - tranquiliza a pesquisadora.

Ela esclarece ainda que nos casos de Guillain-Barré associada à dengue, a doença segue durante 15 a 20 dias. Depois desse processo, os pacientes evoluem com melhora e não há quaisquer consequências.

- Apenas num único caso de mielite, entre os que estudamos, houve a perda de força nos membros inferiores, que se manteve por um ano, como sequela da doença neurológica - diz.

A pesquisa é parte do projeto Implantação da rede de biologia molecular no SUS, coordenado por José Mauro Peralta, do Instituto de Microbiologia da UFRJ (apoio FAPERJ, em parceria com MS – Programa PPSUS), e também contou com a participação do microbiologista Mauro Jorge Cabral Castro, do biólogo Luis Cláudio Faria e das neurologistas Cristiane Soares e Regina Alvarenga.

Fonte: Governo do Estado

Nova ação nos bairros contra a Dengue na Penha supera anteriores

No último sábado, 16/01, das 08:00 às 14:00 foi realizada mais uma Ação nos Bairros contra a Dengue. As áreas de atuação contempladas na ocasião foram Catumbi, Pavuna e Penha. Na Pavuna, entretanto, a operação foi adiada em virtude do clima de insegurança na região. Na Penha foi repetida a parceria da Coordenadoria de Saúde da AP 3.1 e da AVIDE no projeto, que também contou com o apoio da Sub Prefeitura da Zona Norte, XI RA, da Policlínica José Paranhos Fontenelle, Policlínica Maria Cristina Roma Paugarten, Estratégia de Saúde da Família - ESF, Associações de Moradores, 4ª CRE e COMLURB.

Como diferencial das ações anteriores foi disponibilizado aos moradores da comunidade do Grotão informações complementares sobre DST, hanseníase e controle de diabetes através de teste e atendimento médico aos pacientes que apresentaam índices elevados de glicose, além de atrações para as crianças.

No combate aos focos e a proliferação do mosquito Aedes Aegypti foi reforçada a sensibilização dos moradores quanto ao perigo dos depósitos de inservíveis na luta contra a Dengue. Para tanto colaboraram 650 garis escolares, 100 agentes em Saúde, 20 profissionais de saúde das unidades médicas supra citadas, 20 agentes comunitários de saúde e 10 profissionais do corpo técnico da CAP.

Os resultados obtidos superaram as ações anteriores da AP 3.1 em Manguinhos e Penha Circular. Confira os números da operação:

Imóveis percorridos - 9382
Imóveis trabalhados - 6062
Imóveis recusados - 520
Imóveis fechados - 2800
Índice de Pendência 33,5%
Depósitos Eliminados - 2106
Depósitos com Foco - 122
Ralos Desobstruídos - 203
Lixo Retirado - 21,16 Toneladas

Fonte: AVIDE

Três frentes estão combatendo o Aedes Aegypti e a dengue

Mangaratiba quer manter índice de menos de 1% em 2009; Quissamã contraria a previsão de aumento de 20% e Arraial visita as residências e terrenos baldios para evitar que as larvas se proliferem por todo o município.

Em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a prefeitura de Mangaratiba está realizando a campanha Verão sem Dengue. Em um estande na praça em frente ao prédio da prefeitura, equipes da Vigilância em Saúde informam sobre as medidas de prevenção para evitar ou eliminar a proliferação de larvas do mosquito da dengue. Com o uso de microscópio, foi possível à população conhecer mais sobre o Aedes Aegypti, que afetou 12466 pessoas e matou nove no estado do Rio, em 2009. A Vigilância mantém 66 agentes no combate, que também se estende na luta contra a febre amarela. Eles são divididos em quatro setores: ponto estratégico, que combate em grandes locais de concentração de proliferação, como cemitérios; laboratórios, que recolhe as larvas para análise e mede o índice; ultra baixo volume (UVB), conhecido como carro fumacê; e os próprios agentes que visitam os 43 mil imóveis. "Nenhum caso de dengue foi registrado em 2009, nenhuma suspeita, tampouco algum caso confirmado em Mangaratiba", destacou Paulo Guerra, responsável pelo equipamento de bloqueio. Para o supervisor de ponto estratégico, José Barreto, a eficácia do trabalho realizado no município foi o diferencial. "Ficamos ilhados". Tivemos casos em Itaguaí e em Angra dos Reis. Nós no meio, mas em Mangaratiba nenhum registro", destacou Barreto, acrescentando que são realizadas visitas nos fins de semana para atender residências de veranistas. No período de carnaval, os vigilantes vão iniciar a campanha do verão, com a entrega de panfletos nos principais pontos de acesso aos distritos.

QUISSAMÃ: A Secretaria de Saúde do Município de Quissamã montou a "Operação Verão sem Dengue" que envolve, simultâneamente, a Vigilância Sanitária, o Programa de Saúde da Família (PSF), a Vigilância Epidemiológica e o hospital municipal Mariana Maria de Jesus. A iniciativa faz parte do Plano Municipal de contigência da Dengue, elaborado por determinação da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil. De acordo com a coordenadora da Vigilância Sanitária Municipal, Karina Sardenberg, o governo do estado prevê um aumento de até 20% no número de casos de dengue em relação ao ano passado em todo o território fluminense. Em Quissamã, os números apontam uma queda nos casos de infestação. Os dados da Vigilância Epidemiológica constam que em 2009 foram 16 casos notificados, menos 37 que em 2008. Durante todo o ano de 2009. Durante todo o ano de 2009 o índice de infestação predial esteve dentro do parâmetro considerado seguro pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), ou seja, sempre abaixo de 1%. Com a chegada do verão e do aumento das chuvas, os guardas de endemias estão intensificando a estratégia de recuperação de domicílios que estavam fechados durante visitas realizadas anteriormente.

ARRAIAL DO CABO: Monitoramento e diagnóstico - O trabalho contra a proliferação do Aedes Aegypti vem sendo mantido pelos agentes de Saúde, com visitas as residências e terrenos baldios para combater o desenvolvimento do inseto. A cidade já está providenciando medidas eficazes de prevenção a doença, como por exemplo, fazer a assistência, o monitoramento e diagnóstico em determinados pontos da cidade, além de ações nas casa de veraneio. Já foram providenciadas compras de material para diagnóstico do controle do município e coleta de exames para análise nas unidades de saúde. O hospital geral e os postos de saude de família estarão realizando exames e testes rápidos para as pessoas que estiverem com suspeita de dengue.

Fonte: O Dia no Estado

 
 
 
 
 

 

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